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POR QUE VOCÊ NÃO DEVE TER MEDO DE AMAR UM GARANHÃO

19/02/2014


Reza a lenda que toda mulher sonha em converter um canalha. É como o papo do fetiche por virgens que muito macho por aí cultiva. Meio infundado, mas pode ser explicado pela sensação de poder em ter aquele que todas querem ou já tiveram só pra ela. O papo é batido, coisa e tal, mas tem sempre como a gente renovar a questão com novas personagens. Imagina que você (que nunca teve pretensão romântica nenhuma nesse fetiche do canalha) se apaixone por um fanfarrão. Desses que é oba-oba e micareta durante 366 dias do ano porque a empolgação dele é bissexta. Aí você se apaixona, o tal canalha acaba correspondendo e voilà: insegurança.

Não é nada fácil aguentar o passado esfregando mais calcinhas que a coleção do Wando na sua cara. Querendo ou não, você acaba esbarrando no currículo do moço no shopping center, na farmácia, nas baladas da vida e, se tiver muito azar mesmo, nas reuniões de família. Suas amigas vão fazer a caveira dele e denunciar os fantasmas da relação mal assombrada. E como você fica? Calma, tua relação não tá fadada ao fracasso, guria.

Todo relacionamento enfrenta insegurança, alguns com maior intensidade, outros com menos. Quem não tem passado, de duas uma: ou nunca viveu ou mente demais pra impedir que alguma coisa venha à tona. Praticando o polianismo de olhar pelo lado bom, é melhor conhecer o terreno onde pisa do que viver às cegas. Se ele, que desde o maternal foi o garanhão molha-fraldas, contrariou todas as expectativas e se apaixonou por você, algum voto de confiança o moço merece. Cá entre nós, neurose nunca levou ninguém a lugar nenhum. Quem quiser trair vai trair de qualquer jeito. Até escondendo confissão do padre pra ninguém ficar sabendo. Não é bem lá o que ele já fez que vai definir a história que vocês vão escrever juntos.

Então, faz o seguinte: considera um novo ponto de partida. A gente consegue sacar quando alguém tá sendo sincero com a gente pelas formas que a pessoa age. Coloque menos peso nos podres e mais peso nas ações dele. Tire o passado da vitrine e o ponha numa sacola. Insegurança e neurose só vão te colocar numa redoma de vidro frágil, e você mesma pode acabar estragando a sua relação. Quando nos colocamos em situação de fragilidade, todas as pessoas têm potencial pra machucar a gente. Então, não se faça de coitada – sinta-se feliz por convencer o garanhão de que amar vale a pena.

Sou da crença de que tudo passa. Passa dor de amor que não parecia curar nunca, passa o seu ônibus na hora em que você chega no ponto e passa até a vergonha na cara depois da quarta ou quinta dose de tequila pedida pro barman. E o ato de fazer alguma coisa passar sempre tem um fator ativo. Nesse caso, cabe a você deixar de teimosia e colocar na cabeça de uma vez por todas que passado não conjuga a vida presente de ninguém. Óbvio que toda teoria é frágil e que o experimento empírico comprova que a Terra não é tão simples como o círculo que aparenta ser, mas numa coisa eu aposto todas as minhas fichas: enterrar passado é possível se a gente quiser e trabalhar pra isso.

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