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Papa-Anjo: Os benefícios que só os novinhos têm

09/02/2013



E ao final do sétimo dia, Deus sentou para admirar a imensidão do mundo que havia acabado de criar. Tudo impecável: belos rios, cachoeiras, mares, muito verde, uma relva selvagem, animais das mais variadas espécies – todos os elementos em perfeita harmonia. Em suma, tudo azul, todo mundo nu. Mas ainda assim, faltava a cereja do bolo. Eis que, então, no mais nobre momento de inspiração da história do universo, Deus uniu o espírito de criança ao corpo recém-saído da puberdade e criou a maior fonte de pecado da humanidade: os novinhos. Qual o propósito original eu juro que não sei. Só sei que eles têm desempenhado muito bem o papel de me tirar o juízo. E a roupa, é claro, caso queiram.
Por mais contraditório que possa parecer, ser novinho nem é tanto uma questão de idade. É mais uma questão de espírito. Sem dúvidas, a idade influencia – afinal, meu pai pode até implorar ao gênio da lâmpada para ser um novinho, que jamais o será novamente. E se os níveis de novice no sangue fossem inversamente proporcionais à idade, criancinhas seriam cobiçadas – e eu, de forma alguma, sou uma entusiasta da pedofilia. Dentro dos limites do aceitável, a novice é um aspecto que está no brilho dos olhos, na vitalidade da fala, na doçura do paladar. Novinhos são brilhantes – aquelas pedras que reluzem no meio das outras, já foscas e descascadas pela ação do tempo. Novinhos são vivos – carregam consigo a ingenuidade que os leva a crer que é possível fazer tudo ao mesmo tempo e, dessa forma, vencer o relógio do mundo. Novinhos são doces – o que me induz a pensar que é um resquício do açúcar que mamãe passou no bumbum na época dainflação do talco no governo do nada saudoso Fernando Collor.
Tomo a liberdade de abrir um parêntese para uma confissão de adolescente: até certa idade, eu – e tenho a certeza de que não sou a única – tinha algumas exigências um tanto quanto babacas para me relacionar com um homem. Homem, essa é a palavra. O cara tinha que ser homem com H maiúsculo. Daqueles que abrem a garrafa de cerveja com o dente e que andam com uma toalhinha suja de graxa pendurada no pescoço – afinal, nunca se sabe quando será necessário trocar um pneu, não é mesmo? Não que hoje eu dispense um desses – longe de mim desmerecer a categoria dos machos-alpha. Mas, ah, como eu perdi tempo… Se eu soubesse do frescor que é chupar um novinho, teria poupado fortunas em Halls e Tridents nessa encarnação.
Ter um novinho na cama é um prazer inenarrável. Levar-lhe um leitinho quente na cama pela manhã é como aguar a planta que habita a varanda e que ainda vai crescer e florescer. Andar de mãos dadas com um novinho é negar a convicção social de que homem só se importa com peito e bunda; é a prova de que, de certa forma, eles valorizam a maturidade, sim. Eu, que sempre fui a aluna exemplar que explicava as causas e consequências da Tomada da Bastilha para os coleguinhas quinze minutos antes da prova de História, sinto-me realizada em poder ensinar qualquer artemanhazinha sexual a um novinho, porque todo novinho tem um quê daquele aluno esforçado que explode de felicidade ao tirar um 9,5 no exame.
Por tudo isso e mais um pouco, hoje tenho feito algumas participações especiais no time dos papa-anjos. Visto a camisa com orgulho. Também tiro e rasgo no dente se precisar. E se você é adepto da sabedoria que diz que a década de 90 foi uma década perdida, é aí que você se engana, meu bem. A humanidade ganhou muito com a década de noventa: uma surra de novinhos de todas as cores, classes sociais, credos e opções sexuais – e parte considerável deles já está na fase de se deleitar na vida.
Eu tô dentro do pacote de deleite. Portanto, venham, novinhos. Meu coração é de vocês.

Um comentário:

  1. Mas, ah, como eu perdi tempo… Se eu soubesse do frescor que é chupar um novinho, teria poupado fortunas em Halls e Tridents nessa encarnação.



    meeeeeeeeeeeeeeeeeu
    amei
    ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

    nossa
    falou tudo!

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