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Gozar é se aproximar da morte

31/07/2012

Se existe uma coisa difícil de se definir na vida, essa coisa se chama orgasmo. O dicionário o define como: orgasmo
1 Excitação do funcionamento de um órgão, muitas vezes com turgescência.
2 Grau máximo de excitação na cópula carnal, com satisfação do desejo venéreo.

fonte: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa

A definição nada romântica, nem de longe remete ao turbilhão de sensações que assolam nosso corpo nesses segundos de transcendência. Definições clássicas que sugerem que o orgasmo seja como uma onda, que estremece o corpo inteiro, gerando espasmos e aumentando a temperatura do corpo, também deixam a desejar. Quem já chegou lá, sabe disso. Aliás, não existe o “gozar mais ou menos” ou “gozar um pouco”. Aqueles que dizem ter dúvidas se já atingiram um orgasmo, muito provavelmente não o fizeram.
De todas as definições frustradas e tentativas falhas de descrever o orgasmo, acredito que os franceses tenham se aproximado mais – em francês, orgasmo é chamado de “La petit mort“, a pequena morte. Acho genial a forma como eles conseguiram descrever um turbilhão de sensações em três palavrinhas. O orgasmo realmente é uma forma de nos aproximarmos da morte, porque ele desconecta nosso lado racional e deixa sem escolha – ali, perdemos todo o controle.
Momentos antes de chegarmos ao ápice, todas as células do nosso corpo trabalham em prol do orgasmo. É como se, de repente, nosso corpo precisasse daquilo, tanto quanto precisamos de comida ou de água. Naquele momento, nada mais importa. Nossa temperatura corporal aumenta consideravelmente – mesmo se estivermos em uma posição mais passiva e sem esforços físicos, como ao receber um sexo oral. Você sempre sabe quando ele se aproxima. Coração dispara. Gemidos vão sendo emitidos organicamente. É seu corpo falando de dentro pra fora. Você só quer continuar. Toda a energia do seu corpo se concentra agora nessa função. Você só quer continuar. Até que, em um momento, todas as sensações antes descritas se intensificam. Uma onda de energia percorre seu corpo, que parece latejar com completo. Por alguns segundos, não há nada que possamos fazer além de gozar. Se entregar, não é mais uma opção. Você já está entregue.
Esses segundos no qual nos aproximamos da morte – já que perdemos totalmente o controle dos nossos seres – movimenta a humanidade. Uma vez sentido, todos vão em busca de mais dessa sensação que talvez seja um dos maiores prazeres físicos que se pode experimentar. Marquês de Sade já dizia que “não há melhor maneira de se familiarizar com a morte do que associá-la a uma ideia libertina.” Se for assim, que nos aproximemos muitas vezes da morte.

texto retirado do site Casa sem vergonha.

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