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Amores sem pontuação

15/04/2012

Tem amores que não apagam simplesmente com o fim do relacionamento. Ainda mais quando esse fim vem abruptamente, sem aviso prévio. Isso acontece quando um já está por demais impregnado no outro, quando um já sabe demais sobre o outro. O que eu vou fazer quando ouvir aquela música e me lembrar de você? Quando quiser comentar com você sobre aquela peça de teatro, quando vir sua série preferida? Imaginar sua reação ao assistir tal filme? Quem vai ser meu companheiro de passeios noturnos? O que vou fazer quando acordar sem você nos meus lençóis? É que é muito difícil saber como lidar com os dias vazios. Ver sem poder tocar. Lembrar sem poder ligar.
Términos de relacionamento nunca são fáceis, é verdade. Mas acredito que aqueles que acontecem do nada, que são “mal acabados”, que não têm a explicitude de um olhar nos olhos do outro e ouvir o “acabou”, conseguem ser ainda piores. Pode chamar de cisma feminina, mas pra mim toda despedida tem que ter o seu fim declarado.
Sem meu ponto final não dá pra seguir em frente. Porque eu bato o pé, me faço de forte, meus olhos te ignoram, mas meu coração continua me iludindo, ansiando por quando você vai voltar. Eu preciso de pontos finais, sejam eles doces ou amargos. São eles que escancaram as verdades que não se quer enxergar.
Fins de relacionamentos mal pontuados deixam brechas para as mentes fantasiosas reinarem imaginando o “o que poderia ter sido”. É que depois que um tempo passa, o fantasma do relacionamento passado volta. Porque nenhuma memória é impessoal, porque a nostalgia é perigosa e limpa o passado de suas imperfeições, deixando-o mais bonito do que verdadeiramente é.
Deveria ser obrigatório para todos os términos de namoro/casamento/affair/whatever ter um beijo de despedida. Um único beijo. Aquele último, pra você nunca se esquecer do gosto, do cheiro, da saliva, da sensação que aquela pessoa provocava em você. A síntese de toda uma relação nos fluídos trocados do último beijo de adeus. Um beijo, para quando eu quiser me lembrar daquela pessoa, ele sempre me vir à memória. Pode ser suplicado, odioso, lamentoso, não importa. Pra mim toda despedida tem que ter um last goodbye.

Laís Montagnana

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