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Sobre química, pegada e micropênis

10/03/2012


 Tem paixões que são de pele. Você sente o cheiro da atração de longe. Daqueles que se grudam e não querem mais se soltar, nunca. Tem beijos com o tal do “encaixe perfeito”, que te conquista de primeira, te rouba suspiros, te tira o ar, te enrubesce a face, te deixa nas nuvens que nem em desenhos animados. Tem pegadas que você não esquece tão fácil, passa o dia seguinte inteiro com um sorrisinho no rosto, refazendo mentalmente as cenas de um compilado de melhores momentos da noite anterior. Acontece que às vezes há uma incompatibilidade de tempo espaço entre a pessoa que você está afim e a pegada em questão.

Quem nunca se apaixonou por alguém, ficou idealizando aquela pessoa, alimentando aquele sentimento platônico e quando chegou a hora do vamos ver a broxada foi de proporções imensuráveis.  Tem vezes que simplesmente não vai. O beijo não encaixa, você sente que está trocando salivas com um joelho (?), a conchinha não te abriga, é desconfortável, o sexo é desajeitado, durante o ato você se pergunta internamente várias vezes se não seria aquela a primeira vez do rapaz. Ele pode ter o maior pau do mundo, mas ali, no momento, pra você ele comparece como um micropênis desanimado. O tesão está no ar, mas não consegue materializar. É quase uma peça do destino rindo de ti. Coloca aquele cara maravilhoso na sua frente, na sua cama, de bandeja, só pra você passar vontade e se desapontar com as incongruências entre o que você imaginava como seria o que realmente é. Expectativas são uma merda.
É aquela velha história de que ainda não sabemos separar muito bem o sexo do amor. Não é porque aquela pessoa te provoca as tais borboletas nos estômago, te fascina, habita diariamente por mais de 10 minutos o seu pensamento, te faz evocar fantasias maliciosas, que ela vai, necessariamente, preencher todos os quesitos para te satisfazer embaixo dos lençóis. Só pelo beijo já dá pra notar o you’re doing it wrong. E quando isso acontece, o que fazer? Sexo é mais importante que amor? Simplesmente descarto essa pessoa assim da minha “listinha de pretendentes”?
Sou sempre a favor do “tente outra vez”. Às vezes não era o dia do cara, ele ficou nervoso, bebeu demais, enfim, há vários possíveis motivos que podem explicar o porquê não ter rolado de primeira. Por isso dê mais uma chance a vocês. Tem vezes também que o tal “encaixe perfeito” em questão precisa ser (re)aprendido. Lembro-me de uma amiga comentar sobre sua dificuldade em encontrar alguém que, quando a beijasse, encaixasse sua boca na dela assim como era com o seu ex-namorado. Entendo a reclamação, mas acho que ela se esqueceu de cogitar que talvez essa dificuldade estivesse nela. Talvez ela tivesse com o “beijo viciado” nos moldes do ex e, involuntariamente, não se permitisse mudar um pouco e se abrir para as novas possibilidades.
Para alguns sortudos a química é instantânea. É aquela coisa de pele que Oh my God você fica impressionada com as sensações que aquele encontro de bocas e corpos provoca. Tem também os casos em que, com o tempo, você vai “aprendendo” a pegada do outro e construindo a química juntos. O primeiro beijo é OK, mas com o tempo vai melhorando até se tornar sensacional. Agora quando você tenta a primeira, tenta a segunda, a terceira… e nada! Aí é melhor desencanar. Tem vezes que não vai de jeito nenhum e o jeito é partir pra outra! Libertar aquela boca, para que ela encontre seu encaixe perfeito, e ficar disponível para também encontrar o seu.

Laís Montagnana

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